Imagine a physician who leaves home while it is still dark. The children are asleep, and he tries not to make noise in the kitchen while making coffee. He returns at the end of the day, when the children have already gone back to sleep. He kisses each of them on the forehead, watches them for a few seconds, and goes to his room. It was like this on Monday, on Tuesday, on Wednesday.
Em algum dia da semana ele para, num intervalo entre dois pacientes, e olha pela janela. Sente alguma coisa — não consegue dar nome ainda. Não é cansaço, exatamente. Não é tristeza, exatamente. É mais a sensação de que os dias começaram a se parecer demais. Todos automatizados, afetivamente estéreis, como se ele estivesse seguindo uma diretriz invisível, um algoritmo que alguém escreveu e ele cumpre sem saber bem quem foi nem por que segue. Como se a vida que está vivendo não fosse exatamente a vida dele.
You are not alone in that experience. This kind of suffering is more common among physicians than is usually acknowledged — and it is exactly the kind of suffering that deserves a dedicated space to be heard, understood, and treated.
Who seeks care
Independente de você ser estudante de medicina, residente, especialista, professor universitário ou mesmo já aposentado, o que importa aqui está em outro nível. O sofrimento que leva um médico a procurar tratamento psiquiátrico costuma se apresentar de duas formas — e, às vezes, de uma terceira que não é exatamente nenhuma das duas.
Manifest suffering. O médico chega porque tem sintomas claros: ansiedade persistente que atrapalha o sono, ataques de pânico antes de plantões, episódios depressivos que se confundem com a fadiga e duram meses, sensação de estar à beira de um limite. Esse paciente em geral já tentou empurrar com a barriga, achou que era só fase, esperou passar. Em muitos casos já tentou se automedicar com o que tinha em casa, ou começou um tratamento improvisado depois de uma conversa de corredor com algum colega. Quando finalmente procura ajuda formal, costuma ser depois de muito tempo segurando — ou quando o sofrimento começa a trazer problemas claros na vida pessoal ou profissional, e já não dá pra disfarçar.
Subjective suffering. Esse é mais difícil de nomear. O médico não tem um sintoma redondo pra apresentar — tem uma sensação. De deslocamento. De não pertencer mais àquele lugar onde antes se sentia em casa. De estar cumprindo uma rotina que perdeu o sentido. De ter virado um personagem que ele mesmo já não reconhece. Os dias se sucedem iguais, afetivamente apagados, e em algum momento aparece a pergunta incômoda: “o que eu estou fazendo aqui?”. Esse paciente costuma chegar dizendo “não sei bem o que vim fazer aqui, mas sentia que precisava conversar com alguém.”
Between the two — when the problem is other people’s. Há também o médico que não vê problema nenhum em si mesmo, e está no consultório porque a esposa ou o marido insistiu, porque alguém em casa percebeu algo que ele não percebe. Pode estar lá só pra acalmar quem o levou. Pode manifestar, no máximo, um vago desencantamento com a vida — uma apatia leve que ele mesmo não considera grave. Esses casos são igualmente legítimos pra avaliação. Muitas vezes o trabalho começa exatamente por reconhecer aquilo que a pessoa não estava vendo.
Os três estados — manifesto, subjetivo e o terceiro — podem caminhar juntos. Muitas vezes o sintoma cresce justamente porque a parte subjetiva ficou tempo demais sem espaço.
When the physician needs to be cared for
A maior dificuldade do médico em buscar tratamento psiquiátrico não é o medo de alguém descobrir. É algo mais antigo e mais íntimo.
A identidade médica é construída em volta da posição de quem cuida. Desde o terceiro ano da faculdade, você aprende a estar do lado de quem sabe, de quem decide, de quem oferece a saída. O paciente é o outro. A vulnerabilidade é do outro. A vida do médico, em geral, é organizada em torno desse lugar.
Quando o médico se descobre precisando ser cuidado, alguma coisa nessa identidade se desloca. É uma ruptura silenciosa — quase nunca consciente. O paciente costuma traduzir esse desconforto por outros meios: “não tenho tempo agora”, “deixa pra quando passar”, “eu mesmo consigo lidar com isso”. Adia uma vez, adia duas, adia até que o sintoma cobra.
Esse desconforto profundo de se ver vulnerável é, na minha experiência, a barreira que mais demora a cair. E ela é legítima. Não é fraqueza, não é defeito de caráter, não é falta de profissionalismo. É um movimento humano de quem dedicou anos da própria formação a estar do outro lado da relação clínica e, num determinado momento, precisa atravessar.
Reconhecer esse movimento é parte do trabalho. Aqui no consultório, a primeira coisa que costuma acontecer não é uma anamnese rígida — é uma escuta que tenta abrir espaço pra essa atravessada acontecer com o menor sofrimento adicional possível. Sem julgar, sem cobrar, sem tornar o ato de procurar ajuda mais difícil do que ele já é.
What I offer
I am Leonardo Sodré, medical psychiatrist and psychotherapist. I help physicians recover their mental health and search for meaning in their lives. PhD in Psychiatry and Behavioral Sciences from UFRGS, with more than fifteen years of clinical practice. I see patients in-person in Brasília and online throughout Brazil.
Concretely, what I offer:
Combined therapy. Psicoterapia integrada com farmacoterapia, no mesmo profissional, no mesmo enquadre. Não trabalho em silos — não atendo “só medicação” nem “só psicoterapia”. Quando há indicação de remédio, ele entra como parte de um plano que inclui o trabalho psicoterápico. Quando não há, o trabalho segue sem.
Dedicated and individualized assessment. A primeira consulta é longa e foca em entender você como um todo: história longitudinal da doença (se ela já existe), dinâmica de funcionamento da família atual e dinâmica da família de origem, ambiente em que você vive e trabalha, formas de funcionamento emocional e comportamental, além das formas de enfrentar e se defender de problemas nas mais variadas experiências de vida. O paciente não é um diagnóstico, não é uma soma de sintomas. É uma pessoa com uma história.
Individualized treatment plan. Cada paciente recebe um plano construído sob medida, com passos definidos e revisão estruturada. Não é consulta avulsa pra renovar receita — é seguimento clínico continuado.
Evidence-based pharmacotherapy. Quando há indicação de remédio, as decisões seguem a melhor literatura disponível — manuais clássicos de psicofarmacologia, literatura científica atualizada e diretrizes de sociedades internacionais de psiquiatria. Lógica clara, sem troca aleatória de medicamentos. Você sabe por que está tomando o que está tomando.
Referral for neuromodulation when the case warrants it. Casos refratários muitas vezes se beneficiam de intervenções como ECT, EMTr, esketamina ou outras técnicas de neuromodulação. Sempre indico e oriento o encaminhamento para esses procedimentos quando realmente indicados, ainda que não execute essas técnicas no consultório — elas exigem uma estrutura de segurança técnica adequada que extrapola o disponível em um consultório clínico.
Muito do meu trabalho com médicos é mostrar que o que ficou conhecido como “tratamento refratário” frequentemente não é refratário ao tratamento — é refratário à falta de tratamento individualizado.
How the first consultation works
A primeira consulta não começa pela medicação. Independente de o seu caso pedir remédio ou não, o convite é o mesmo: olhar para você.
As perguntas reais são simples e raramente são feitas. Como está a sua vida nesse momento? Você está satisfeito com o jeito que tem levado? Sabe pra onde está indo? Onde e como gostaria de estar daqui a alguns anos? O que faz sentido na sua vida pessoal, fora da medicina?
Muitos médicos chegam ao consultório e percebem que nunca tinham parado pra responder essas perguntas. Não por falta de inteligência, mas por falta de espaço. A rotina não deixa.
A primeira consulta dura mais que uma consulta padrão, porque essa escuta inicial é o que organiza tudo o que vem depois. Ali se decide o caminho: se há indicação de remédio, qual remédio e por quê, qual a frequência de seguimento adequada ao caso, se há outras avaliações necessárias. E, principalmente, se faz sentido pra você continuar.
Você sai da primeira consulta com uma proposta de plano clara — não com uma receita no bolso para tomar por conta, voltando só quando algo der errado ou simplesmente quando der vontade. Um plano que tem início (uma boa avaliação clínica e psicológica), meio (uma forma esclarecida de condução do método) e fim (metas a serem alcançadas).
Confidentiality and the office setting
O temor de que alguém descubra que você está em tratamento psiquiátrico é uma preocupação legítima — e que é levada muito a sério aqui.
O consultório foi pensado pra isso. O ambiente é discreto e tranquilo. Os pacientes são agendados um a um, com horário respeitado, justamente para que dificilmente haja acúmulo de pessoas na sala de espera, situação em que pacientes acabam tendo que desviar o olhar de outros ou, pior, sendo abordados por algum desconhecido. Você chega, é recebido, é atendido. O fluxo é desenhado pra preservar a sua privacidade desde o momento em que você entra no prédio.
No registro clínico, sua consulta não fica em nenhum sistema institucional — nem em hospital, nem em operadora de saúde, nem no CRM. Não há contato com chefias, colegas ou supervisores. Seu prontuário fica sob proteção legal, acessível apenas a você. Receitas são emitidas com o que for estritamente necessário, e qualquer documento sai com a discrição que cada situação pede.
Common cases I see
Os quadros que mais aparecem no consultório, em pacientes médicos:
Burnout, or professional exhaustion. Quadro clínico já bem conhecido, com sintomas reconhecíveis: exaustão emocional, distanciamento do trabalho, queda de eficácia percebida. Em médicos, costuma chegar mascarado de “fase difícil” até que o corpo ou a relação familiar começa a cobrar a conta.
Performance anxiety. A pressão de não errar, de manter o ritmo, de não decepcionar. Muitas vezes começa cedo na carreira e se cronifica. Vira insônia, vira tensão no peito antes do plantão, vira aquela leitura repetida do prontuário no fim do dia procurando o que pode ter passado.
Depression. Entre médicos e estudantes de medicina, frequentemente se confunde com fadiga, com desinteresse passageiro, com sintoma de excesso de trabalho. Os critérios diagnósticos não mudam — mas a tendência de empurrar com a barriga atrasa o tratamento por meses ou anos.
Crisis of meaning in the career. É a categoria mais frequente entre os pacientes que chegam por busca subjetiva. Não há diagnóstico psiquiátrico fechado, mas há sofrimento real: a sensação de que a vida profissional perdeu propósito, que o trabalho deixou de alimentar, que faz tudo no automático. Esse quadro merece a mesma atenção clínica que os outros.
Bipolar disorder. Quando há, demanda manejo específico — farmacoterapia em passos definidos, monitoramento de sintomas prodrômicos, de rotinas diárias e da concentração sérica de estabilizadores de humor, com acompanhamento próximo. É um diagnóstico que se beneficia muito do enquadre de terapia combinada.
Frequently asked questions
Do you offer online consultations?
Yes. I see patients in-person at my office in Brasília (Asa Sul) and online for patients in any state of Brazil. Many physicians from the interior, from other capitals, and even from abroad benefit from the online format because of scheduling flexibility.
Do you accept insurance plans?
No. I see patients only on a private-pay basis. I can issue a formal invoice (nota fiscal) so you can request reimbursement from your health-insurance plan, when that option is available.
What is the frequency of appointments?
Depende do plano terapêutico definido pra cada caso. Pacientes em fase de avaliação inicial costumam ter consultas mais próximas; quadros estabilizados podem entrar em seguimento mensal ou maior. Não trabalho com frequência fixa pra todos — o plano é individual.
Do you treat a physician who has referred patients to you?
Sim. Médicos que me indicaram pacientes podem se atender comigo sem nenhum conflito ético — o vínculo clínico se mantém na mesma direção da indicação, ou seja, com a sua confiança como ponto de partida.
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Do not put off until tomorrow the help you can receive today. The consultation is a space for you to stop, look at yourself calmly, and decide, together with me, what makes sense going forward.
Most of my physician-patients did not arrive ready. They arrived tired of carrying an armor that had become too heavy. The work we do together is not about leaving medicine behind — it is about leaving behind the armor.
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